De novo, novembro


Quando se vê primaveras?
Quando os ponteiros avisam o que já é recuerdo, outro calendário, nova estação?
O tempo às vezes menino, atrevido e implacável, mas nunca exato.
O tempo sempre tão sábio, prudente e eficaz, mas também efêmero.
Já era reveillon, antes que chegasse o rubro natal.
Era novembro, mas já era um novo. De novo, um outro novembro.
Novembro pra falar de um ano, novembro pra falar de mares,
cores,
rios,
pedras,
aires.
Novembro pra voltar saturno,
Para assustar os números.
Novembro pra cantar saudade.
Saudade que tem plural sem que acrescentem esses.
Já era novembro
E tudo que viria era novo, outra vez...

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Subtexto


Diagramas desencontrados não são manuais de instrução. Não estão para ser mapa.
Talvez uma reza, um sussurro, um flash do que já não é retrato.
Talvez uma súplica, uma entrega, uma porta ao que já não é caminho.

Às vezes mais leve do que o que sopra, ou o sonho mais bonito da estátua.  
Às vezes esfinge devorada do próprio enigma.
Para esquecer dicionários não importa a língua.  A mudez é o susto mais transparente da palavra. 

Raiana Reis


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Mais, que o mesmo



Quero
Qualquer coisa que seja
Mais sorrisos que "Bom dia",
Mais cumplicidade que atenção,
Mais mãos dadas que boa sorte.


Raiana Reis

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Adentro



Quando da janela se vê nublado, por dentro ainda pode ser mais bonito.

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Maracujás na Calçada





No nordeste quase sempre é estação, até parece  moda, mas é fruta. 
Do tupi que origina o nome, é aquele que serve, como cuia pra saciar a sede. 
Planta rasteira, trepa onde lhe estendam galhos. 
Se ela diz que a acalma, nele, seu cítrico acelera. Mas disto não fariam a guerra dos sexos - ou talvez ao pé da letra -  pois sobre todos os sentidos, perdê-los é a especialidade humana.
E se para ela é o cheiro que traz o gosto, 

é na ponta da língua que ele comprova o doce.


Raiana Reis

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Armapoesía


El mágico juego de las pasiones es el abusrdo de soñar despierto. -  
Raiana Reis



Quando as linhas secam, elas ainda se encaixam... Poesia soltas aos pedaços.

- Palavras imantadas em espanhol para formar poesias. Armapoesía de 400 peças comprado no museu MALBA em Buenos Aires. www.armapoesia.com.ar

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Friday

Esse carnaval em ser feliz apenas quando 'finde', ainda desbotará os outros dias...

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Portrait

Foto: Arquivo pessoal.

Porta retratos para lugares que já não me pedem pra ficar,
escova de dentes são descartáveis sem seus donos.

Doação para roupas velhas, ginástica para as desejáveis.
Livros sobre a cabeceira, roteiros tracejados em pensamentos trópicos.

Da lua o ciclo,
mares que  levem os sais
à estrela - raios nascentes.

Raiana Reis


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Plenilunar



Nos silêncios destas ruas cálidas,
no breu dos movimentos sôfregos,
no conta-gotas de uma alvorada
eu me encontro

Crua
pura
e inteira
como renascida.


Não ao exceder na noite
ébrios desejos como vestes de trapos marginais

Não em palidez oposta
franzida e recusa
frente aos raios diurnos

Mas ao frescor orvalhado
que exaure - dela
o poder batismal

Plena - em lua
Em lua - plena

Raiana Reis

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Deixa


Deixa acabar
Deixa escoar os amores mesmo que ainda exista o líquido sabor dos beijos.
Ainda que o peito aqueça na falta dos nossos plurais.
Deixa que os ventos transportem as sementes da finda história para o amanhã.
Deixa-se levar na ciranda das músicas recordando o velho filme com mais sorrisos
que sal na boca.
Deixa ecoar o eu te amo nos gestos que pediam as reticências...


a última bolacha do pacote sempre foi a mais difícil.
Raiana Reis

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Rascunhos

As diversas linhas figuram em rascunhadas sensações.
Silêncios substituem palavras quando não encontram espaço ou forma à sua entrega.



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Sorrisos amanhecidos


Ao raiar do sol 
sincero olhar afaga a chama 
a começar em novo baile...

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No silêncio das linhas transbordam as sensações,
 mais do que palavras...



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Refazer caminhos por vezes dói, mas nos converte em arquitetos de grandes obras.

Foto by Raiana Reis - arquivo pessoal.

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Então será assim, pêndulos de esperanças para as portas que atravessar…

 

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Amó


A saudade vem ao prato várias vezes, de um mesmo nome mas sabores tão diversos que sempre traz um novo jeito de senti-la.
Por vezes vem em doses extras, todas enfileiradas, mãos unidas a visitar. Mas uma delas agora vem cantar o cheiro doce de um amor antigo...
Amor baixinho, de pele macia e enrrugada com pintinhas de enfeite. Amor de voz grave e firme a cantarolar cantigas aprendidas desde a infância.
Amor que esquenta comida e coloca mais no prato enquanto te ouve falar como vão os dias.
Amor que patrocina e entrega escondidinho pra não lhe encabular.
Amor que ora noite e dia por seu caminho e conquistas.
Amor que conta e reconta antigas histórias como se fossem ontem.
Amor de muitos, amor de mãe, amor que é , amor que vive em se doar.
Amor que falta, amor que é base, exemplo e força.
Amor que é sempre - e assim é tão saudade, num sabor que vem sempre à boca.

Raiana Reis

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Ainda há mais vida em toda fonte. E a toda luz que é dada há de alcançar os seus cantos escondidos.


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