terça-feira, 14 de setembro de 2010

Gota d'água

gota de agua1
"Eles pensam que a maré vai mas nunca volta
Até agora eles estavam comandando
o meu destino e eu fui, fui, fui, fui recuando,
recolhendo fúrias. Hoje eu sou onda solta
e tão forte quanto eles me imaginam fraca
Quando eles virem invertida a correnteza,
quero saber se eles resistem à surpresa,
quero ver como eles reagem à ressaca."
 
 
Baseada na tragédia clássica de Eurípedes, "Medéia", Chico Buarque e Paulo Pontes compoem em 1975 o texto em peça teatral Gota D'água. Joana - mulher de personalidade intensa e anti-heróica, é a nossa Medéia brasileira nesta obra que nos leva ao cenário do subúrbio carioca, numa crítica social à exploração capitalista, não distante da nossa realidade conteporânea. No pano de fundo de igual intensidade, está um triângulo amoroso do qual faz parte o típico malandro carioca - o sambista Jasão (homônimo do personagem da tragédia grega) conquistador de um sucesso que não chega por acaso.

Me encantei por esta trama na riqueza dos detalhes, da crítica social à paixão de cada uma das pontas do triângulo, muito bem costurados no texto desses autores, além da incrível musicalidade do mestre Chico.
Abaixo figuram as majestosas interpretações, inicialmente da Bibi Ferreira, e uma recente composição, feita pela Izabella Bicalho. - Recomendo a leitura desta peça, que nos prende a cada página.

"E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água..."






(na obra há diversas músicas já conhecidas, compostas originalmente para esta peça - Gota d'água, Bem querer, Flor da idade entre outras)

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